17/04/2008







A casa do Cadeirante


O objetivo deste artigo é propor mudanças simples a serem feitas na casa onde vive uma pessoa que depende da cadeira de rodas para se locomover sem, no entanto, causar transtornos aos demais moradores da residência. Aqui pretendemos expor mudanças que viabilizaram a vida independente do cadeirante, dando-lhe maior autonomia em atividades do dia-a-dia. Deixemos claro, desde já, que há outras variáveis, tais como idade, sexo, força física, etc., que tornam possíveis ou não determinadas atividades. Sempre que o contexto não deixar claro, procurarei pontuar estas atividades restritas.

Dimensões de Portas e Corredores. A cadeira de rodas necessita de um espaço mínimo de 90 cm para se deslocar em linha reta, assim, por cada cômodo por onde for se deslocar o cadeirante precisará de tal espaço livre para poder transitar. Além disso, cada cômodo da casa deverá ter espaço livre suficiente para que a cadeira possa dar uma volta completa, isto é, o cadeirante poderá entrar e sair do ambiente de frente. O espaço necessário para tal manobra deve ser, no mínimo, o de uma circunferência de raio 90 cm (fig. 1). As portas também deverão ter tamanho mínimo de 90 cm.

Rampas de acesso. Deve-se priorizar a disposição dos ambientes em mesmo nível. Mas, caso seja indispensável a troca de níveis de um ambiente para o outro, deve haver uma rampa com as seguintes dimensões, 90 cm de largura e a divisão do tamanho da rampa por sua altura final não deve ser inferior a 8. Por exemplo, uma rampa que suba 0,5 metros deverá ter um tamanho de, no mínimo, 8x0,5 = 4 metros de comprimento. Claro que quanto maior for esse número, melhor. Além disso, a rampa deverá possuir piso não-escorregadio seja seco ou molhado; e um corrimão que impeça que a cadeira caia fora da rampa e auxilie no deslocamento do cadeirante.

Cozinha. As mudanças que aqui propostas para a cozinha são aquelas que permitem ao cadeirante atividades cotidianas tais como beber água sozinho, lavar as mãos e frutas antes de comer, lavar sua própria louça entre outras. Cabe ressaltar que atividades mais trabalhosas como preparar o próprio almoço podem demandar maiores mudanças nesse ambiente. A mesa da cozinha deve ter uma altura de aproximadamente 80 cm de e espaço embaixo que permita que o cadeirante poça se aproximar o suficiente desta para alcançar todos os objetos ali dispostos (panelas, copos, suco, etc.). A pia deverá possuir uma torneira do tipo chuveirinho, ou seja, uma mangueira com uma torneira na ponta. Lembre-se de deixar alimento tais como frutas, biscoitos, água entre outros a uma altura ao alcance do cadeirante.

Quarto. A cama do cadeirante não pode ser muito alta, o ideal é que tenha a mesma altura do acento da cadeira para facilitar o deslocamento de uma para outra. No mais devem ser observadas as regras de circulação postas no início deste artigo.

Banheiro. O a porta deve ser grande o suficiente para que a cadeira de rodas entre sem maiores problemas e, se possível, o espaço de manobra deve também ser respeitado. O vazo sanitário deve está a mesma altura do acento da cadeira. Além disso, deverá possuir duas barras, uma ao lado e outra atrás, que auxiliem no deslocamento da cadeira para o sanitário. A pia deve permitir uma boa aproximação da cadeira, ou seja, sem barreira em baixo que impeçam que o cadeirante dela se aproxime. Normalmente o cadeirante usa uma cadeira especial para tomar banho, dessa forma deve-se ter o cuidado de manter os produtos de limpeza ao alcance. O chuveiro deve ser do tipo Telefone, isto é, uma mangueira que permita maior mobilidade ao jato d’água e com uma torneira na ponta.

Os demais ambientes da casa não necessitam de adaptações especiais, salvo àquelas já ditas para todos os ambientes da casa. Como podemos observar nenhuma das mudanças aqui propostas atrapalham ou dificultam a vida dos demais moradores da casa, mas por outro lado são extremamente importantes para a vida do cadeirante. E, mais importante, não demandam muito gasto para serem postas em prática.

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